Acción Arte Itinerante con música | latinoamérica es un proyecto de investigación e (re)conocimiento del espacio latinoamericano desarrollado por Marília Palmeira (Salvador, Bahia, Brasil).

De Agosto 2010 a Abril 2011, la artista (?) viaja por 7 países de Sudamérica con una exposición de arte itinerante que se acomoda en su maleta, y el objetivo principal de hacer una investigación de la escena de arte contemporáneo local. El viaje empieza en Salvador (Brasil) y sigue un trayecto pré-determinado con visitas a artistas e instituiciones situados en

Brasil | Uruguay | Argentina | Chile |
Bolivia | Peru | Ecuador | Colombia

Más informaciones: aai.latinoamerica@gmail.com

*Agradecimentos a todos los que me ayudaron en el proyecto.

**Agradezco especialmente a Beatriz Lemos, curadora independiente, por su valioso apoyo con los contactos.
~ Saturday, February 19 ~
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Soldados de Adriano Castro pelas calles de Cali

Calle 9 con Carrerra 39

Enfim, com as mãos sujas de cola, me sinto de missão cumprida. Andres e eu colocamos os soldados de Adriano, meu professor de Serigrafia, nas ruas de Cali, Colômbia. Meu ajudante nesta operação realizada depois de comer um cholado é um artista daqui que me está hospedando em sua casa, e as bolhas sobre as quais estão os soldados é parte de sua pintura mural.

Andres a mim me parece um personagem do Liniers, é uma pessoa bem diferente que pinta fadas (mierdahada) que transformam coelhinhos em adubo, cozinha arroz com Coca-cola em vez de água, ganhou um concurso do Redbull (mas nunca tomou Redbull) e agora recebe latas da bebida toda vez que vai para uma festa, tem pouco paladar e não sente cheiros de nada, nem para bem, nem para mal. Eu ando pelas ruas de Cali e às vezes lhe explico como huelen os panes de bono que fazem propaganda das panaderías ao saírem do forno e atingirem ao nariz da gente caminhando pela rua, ou como sabem os chontaduros. O irmão do Andres, Camilo, descobriu o quanto me apeteciam os chontaduros porque um dia eu confessei haver devorado sete, e me presenteou uma sacolinha de chontaduros que estou comendo pouco a pouco, com mel e sem sal, porque sabía que así me gustava.

El día antes de ayer, eu e Andres estávamos no Museu de Arte Moderno da Tertúlia. Vimos uma exposição à qual eu queria ir a muito tempo, LA GUERRA QUE NO HEMOS VISTO. 

Essa exposição era composta por pinturas em módulos de madeira agrupados, todas realizadas em uma oficina da qual participaram ex-soldados que cobatiam as Farc, paramilitares e ex-guerrilleros (desmobilizados, aos quais o governo colombiano ofereceu moradia, trabalho, estudos e outras vantagens para que deixassem a guerrilha).

São imagens com uma visualidade infantil, que contrasta com um conteúdo fortíssimo. Um ex-guerrilhero que representa o dia em que assassinaram seu pai, quando ainda era criança. Um ex-integrante da AUC que se representa apontando uma arma contra uma muchacha que suplicou por sua vida, sem sucesso. Uma mulher que se representa sofrendo um aborto pela incompatibilidade de estar grávida na guerrilha, ao final do procedimento foram mortos o médico e sua mulher. Um grupo de guerrilheros que mantém soldados amarrados e lhes obriga a pisar nas mesmas minas que haviam colocado minutos antes numa zona de guerrilha.

Nessas imagens da guerrilha, quase todos sorriem numa festa alegre, vermelha e viva de sangre que salpica por todos os lados como confetes de carnaval. Assim como sorriem os soldados de Adriano. Não entendi porque os ex-combatentes representavam crianças com armas na mão e gente baleada e sangrando que também sorria. Talvez estejam acostumados a um padrão de representação do rosto humano. Mas talvez seja porque na guerrilha matar faça parte da vida, como escovar os dentes, ir ao trabalho, almoçar, deitar-se na cama e dormir em casa com sua família depois de um dia comum de atividades, que inclui manejar armas y hacerlas cumplir su función.

Seguramente a solução para homens e mulheres armados não será mais homens e mulheres armados, pensei comigo. Muito menos multiplicar as bases gringas em território colombiano. De que armas e estratégias se pode utilizar uma arte que se cria num espaço em que se move tanta gente armada?

Sorriem os soldados, sem respostas.


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