Cuzco: raptada por una una estrella fugaz y 24 días aprisionada en el puputi del mundo
Bolívia, Peru e Equador, también desde la perspectiva del arte contemporáneo, apresentam uma realidade completamente diversa da Argentina e do Chile. Naqueles países, a pintura terá, boa parte das vezes, uma presença bastante forte se comparada às outras linguagens. Inclusive muitos dos artistas que se estão valendo da fotografia, vídeo-arte, objeto, instalação, ações e outros tipos de linguagens mais contemporâneas têm suas raízes no campo da pintura.
Nada em minha investigação da cena contemporânea em Peru justificaria 24 dias em Cuzco. Todo o resto obviamente o justificaria (além de um grupo tão pequeno quanto interessante de artistas locais). Fui absorvida pelo puputi (quéchua = ombligo) del mundo de maneira tal, que meu blog ficou mais tempo esquecido que a cidade perdida dos Incas.
Interessante como o que um dia foi a capital do tawantisuyo e umbigo do planeta pode-se considerar hoje periferia da cena de arte contemporânea peruana, onde a maior parte das galerias de arte não exibe e vende quase nada de arte, se não aquilo que o turista se interessa por comprar. Arte não se resume a um objeto sólido, más bien se encuentra hoy día en estado gasoso.
Mais interessante ainda é que a partir dessa periferia diferentes gerações de artistas tematizem algumas questões bastante centrais para a arte atual.
Rendida à boemia incaica do milho, conheci o trabalho de Richard Peralta numa chichería em Calca, povoado a caminho do Vale Sagrado onde está localizada uma filial da Escola de Belas Artes Diego Quispe Tito, onde também exerce atividade docente.

A obra mais conhecida de Peralta são seus anjos andinos de chullo y poncho. Alguns anjos feridos, anjos caídos, ”imaculadas decepções”, como conceitua o artista, que atualmente se empenha em pintar esses anjos bastante peculiares e uma via crucis na Igreja de Santo Domingo, Cuzco.

Seu trabalho também pode ser encontrado, assim como os de outros artistas cuzquenhos reconhecidos, como Carlos Bardales, num bar bastante interessante y Kitsch da cidade, o Fallen Angel.

Também pisei os pés (e os pincéis) no taller de um dos poucos artistas contemporâneos cuzquenhos que experimentam em diversas linguagens e lograram reconhecimento no país do ceviche y también más allende, Victor Zuñiga.

Esta é uma das obras recentes de Zuñiga, parte da série Vorágine de la Simultaneidad. O artista costuma partir de uma referência fotográfica para realizar um trabalho a óleo que se utiliza de recursos imagéticos do design gráfico. Uma pintura de um tempo de velocidade, rápidos desplazamientos, simultaneidades que passam desapercebidas. Tempo de transformação voraz da imagem, das situações, das paisagens e dos relacionamentos humanos.

(aprendi num city tour que, para os Incas, a água estaria relacionada ao masculino, porque fecunda a pachamama, ou madre tierra)
Además de ceder gentilmente suas tintas, e seus livros, e o tapete de sua sala para uma instalação provisória que acabei não registrando, Zuñiga me ha invitado a conocer la Escuela de Bellas Artes de Calca, em que também é professor.

Nesse dia havia um concurso de pintura de paisagem em plena calle. Depois seguimos todos num passeio de ônibus com os estudantes para o povoado de Lares, em que por primeira vez na vida (após muitas tentativas malogradas no Deserto de Atacama, onde se observa nitidamente a via láctea) vi uma estrellita fugaz, dice: “lo he visto!”, y pensé un deseo (que se ha cumplido).
A escola é, de maneira geral, bastante tradicional, oferece especialidades, e prima pelo domínio da técnica. Sin embargo, a nova geração revela alguns artistas muitíssimo interessantes. Um deles é Jorge Flores, que tem especialidade em desenho e escultura e também atua como designer gráfico. Um representante do ‘neo pop cuzqueño’ que também se expressa livremente em diversas linguagens, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, a instalação, a cerâmica e mesmo as palavras.

Sua obra faz uma referência satírica e bem-humorada aos heróis e ícones das culturas do Peru. Um exemplo são suas cerâmicas “pos-colombinas”. Aqui se pode observar um autêntico Qero esponja e um Felix El Guaco original:

Vejam mais da divertida obra de Jorge aquisito no más.
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