Mendoza, una luna y un lucero
A imagem de Mendoza que se quedou diante de meus olhos, como uma nuvem, ainda que diante deles agora se encontre outra cidade, foi esta: o céu azulado, a silhueta das árvores secas (apesar da asequia), as cordilheiras a lo lejos, dibujadas en líneas azules, desaparecendo, mas principalmente a lua surgindo às seis da tarde clara e um lucerito, un solo lucerito abajo de ella. E mais nada no céu limpíssimo. Nada más. Nem uma estrela de dúvida. Nem um brilho de incerteza. Decididamente um azul convicto.
Se alguien pedisse que entregasse um tríptico poético de meu quase um mês de Argentina, eu lhe ofereceria estas três imagens:
Semáforos amarelos e kioscos verdes llenos de flores en Buenos Aires llena de autos
Cielo de Mendoza, luna y lucero contra el azul limpio
Córdoba invisible
Devaneios à parte, les cuento algo de Mendoza, lez conduzco por las calles en las cuales, a la diferencia de las de Santi de Chile, todavía no me ubico bien. Cuidado com as asequias, não pisem em falso, não tropecem, já basta que eu tropece nas palavras, e nos dias (e nas uvas, e consequentemente, nos poemas, e em tudo a que conduzem ou desconduzem os poemas).

Esta moça de bigode azul tomando mate é a Florência, pintando o mural abaixo,

em que tive uma participação pequena, com alguns galhinhos, mais à direita. Aí dentro desse galpão, apelidado de casita colectiva, foi, inclusive, onde avancei mais um passo na tradição guarani e preparei sozinha meu primeiro mate. A casita é coletiva porque abriga diversos grupos, não apenas o coletivo Araña Galponera, que me recebeu em Mendoza, como também uma TV comunitária (o canal 13), um grupo de professores, uma cooperativa para edição de livros, outra de edição de vídeos, uma rede de distribuição de produtos agrícolas de camponeses (a maior parte, orgânicos).

A Araña Galponera é um grupo que vincula arte e política, como Los Insurgentes, que conheci em Córdoba e com quem estão organizando o Encontro de Arte e Política nacional. Os dois também armaram juntos a 1ª Bienal de Fotocópia, com participações latinoamericanas de diversas latitudes (inclusive Brasil). Então disse a eles que serei uma araña insurgente em Salvador, e que organizaremos a primeira Bienal de Fotocópia Binacional. Que pensam?

E foi preparando meu primeiro mate aí nessa casita, como estava falando, que me veio a ideia de fazer uma exposição na cocina colectiva de la casita colectiva.

Inédita a ideia não é (há muitos anos Hans Ulrich Obrist já tinha feito, é minha resposta na ponta da língua para quem é contra). Eu vesti um avental e fazia uma visita guiada pela cozinha interditada, intervenida e ocupada! Quem quisesse, poderia comer as frutas que estavam sobre a mesa. Eu sou fanática por bananas:

Esse é um trabalho que estou fazendo com o Lu(ciano Burba), artista cordobês. Bem, peço aos artistas doações de trabalhos materiais, imateriais ou semi-materiais. Em troca, às vezes dou a alma, que não acaba nunca. O Luciano por mais de um ano vem desenvolvendo um trabalho com uma artista mexicana, com cujos registros editaram um livro (que folheei de cabo a rabo antes de comermos empanadas na casa da Flor e do Lu com outros artistas de Casa 13). Os dois se enviam mutuamente indicações diárias de ações a serem executadas e registradas pelo outro. Pois o Luciano está me fazendo uns pedidos, parece. Pediu que fizesse uns adesivos diciendo: ‘aca fui feliz’, para pegar nos lugares donde haya sido feliz. E agora tem outro pedido, mas esse ainda estou realizando.

Paula e Gabi

Com o aproveitamento de espaços criativos da cozinha, o público era convidado a interagir com o espaço para visualizar as obras: mover o corpo, abrir gavetas, portas, armários, abaixar-se, levantar-se. Nunca havia muitas pessoas na cozinha de uma só vez, e eu de mestre cuca oferecia uma visita guiada.

Será fria a arte dos museus, comparada a essa, mais perto da vida e do cotidiano? Acho que o cubo branco também tem seu valor, portanto, foi contemplado:

Um friozinho conserva bem as coisas belas que queremos ter por mais tempo, mas quem quiser que fique sempre aí dentro. Como os peixes do Elivaldo e do Carlínio. Acho que saíram do mar do Boccia ou da piscina meio Monet da Lucila.








Todos desenhando mapas na charla que dei na casita… (bem, um está dormindo, mas juro que não tive culpa).


E este é um trabalho do Zé de Rocha que estou devendo explicar num outro texto.
1 note ()
-
arleen-roberts reblogged this from aai-latinoamerica
-
aai-latinoamerica posted this

button